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Lúcio Antônio Prado DiasBlog author list 4790bde7157e3ea7
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Sociedade Brasileira de Médicos Escritores

Postado às 28/03

Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia. Esse é o meu domínio, que o Estatuto da SOBRAMES - Sociedade Brasileira de Médicos Escritores define como área de liderança da vice-presidência Nordeste. Tão vasta em extensão territorial que mais parece um país inteiro, maior que boa parte dos países do mundo. 
E de talentos,  tradições, literatura, artes e cultura em geral então, nem se fala, é um continente inteiro. Como bem diz o poeta popular, em O Nordeste é Poesia, “Deus quando fez o mundo, fez tudo com primazia, formando o céu e a terra, cobertos com fantasia. Para o Sul, deu a riqueza, para o planalto a beleza e pro Nordeste, a poesia.” 
E arremata: “Dotou a mãe-natureza, com tanta filosofia, fez o sol e a lua, o sol quente e a lua fria. Para o Sul deu a fartura, para o Centro, a agricultura, pro Nordeste, a poesia.”
Nordeste de  João Cabral de Melo Neto, da Ariano Suassuna, de Jorge Amado, de Pedro Nava, Graciliano Ramos, Luís da Câmara Cascudo,  na literatura, de Capiba, Caymmi, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Caetano e Gil, na música, Jenner Augusto, Jordão de Oliveira, Mário Cravo, artistas plásticos, nordestinos arretados, símbolo maior desse torrão de país inteiro, que nos dá régua e compasso. Somos tantos, somos muitos!
Na Medicina, então, eles “arrasam”, estão em todos os lugares e em todos os centros. Como não deixar de destacar Fernando Luz, Fernando São Paulo, Adriano Pondé, Augusto Leite, Militão de Bragança, Aníbal Bruno, Fernando Figueira, entre tantos outros que dignificaram a arte de Hipócrates na mais pura essência? Exemplo perene para as novas gerações, tão carentes,  na atualidade,  de novos e consistentes  modelos.
Medicina e arte sempre andaram juntas,  lado a lado, na busca de um maior humanismo na prática médica. Os resultados dessa união, quando presentes nas diversas instâncias, são amplamente visíveis e favoráveis. O Conselho Federal de Medicina, percebendo essa sinergia, mantém há alguns anos uma atuante Comissão de Humanidades Médicas, que vem buscando estimular a prática nos cursos de Medicina. Por sua vez, a Sociedade  Brasileira de Médicos Escritores – SOBRAMES – fundada em 1965  graças ao trabalho exponencial do Dr. Eurico Branco Ribeiro, pode e deve ser depositária dessas ações, fazendo uma integração e sinergia com as demais entidades representativas dos médicos, notadamente a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina, sem esquecer, claro, o sistema federativo das academias de Medicina, através da FBAM e da própria quase bicentenária Academia Nacional de Medicina.
Mas voltando ao nordeste dos meus amores, duas regionais da SOBRAMES têm para mim e para a SOBRAMES Sergipe, um significado todo especial e se destacam nesse torrão nordestino. Refiro-me às regionais do Ceará e de Pernambuco. Graças à ação da primeira, através dos confrades José Maria Chaves e João de Deus Pereira da Silva, quando vieram a Sergipe em 2008,  a nossa SOBRAMES teve uma primeira ação de reativação. Estava à época com suas atividades suspensas em razão da doença  do mano Marcos Prado Dias, fundador da regional no ano 2000, quando presidia a nacional o confrade Hélio Bigliomini. Mesmo com todo o esforço da dupla cearense, as coisas não andaram e somente em 2013, por  iniciativa do presidente da Academia Sergipana de Medicina de então, o Acad. Fedro Portugal, que instigou a federada de Pernambuco, na pessoa do confrade Luiz de Gonzaga Braga Barreto a ajudar na reativação da coirmã sergipana, a SOBRAMES Sergipe teve os seus trabalhos reiniciados, dessa vez sob a minha coordenação. A solenidade ocorrida em 2014 transcorreu em alto estilo, com a ata de posse sendo “cantada” por dois cordelistas e a presença prestigiosa do presidente da SOBRAMES Nacional Sérgio Pitaki.
Indispensável se torna enaltecer o papel das regionais nordestinas da SOBRAMES, que levam o espírito alegre e cordial de estreitar laços e amizades, dentro do binômio Medicina e Literatura. Na Bahia, ressalto dois ícones: Ildo Simões e Dagoberto Santana, poetas de estirpe que tão bem representam a alma baiana. Nas Alagoas, terra dos notáveis médicos Nise da Silveira, Arthur Ramos, Jorge de Lima, destaco a figura bondosa e carismática de Milton Hênio de Gouveia Neto e do  combativo José Medeiros, de saudosa memória. Pernambuco então nem se fala. Uma turma arretada, coesa, vibrante e participativa, onde se sobressaem os confrades Luiz Barreto ( a quem chamo de padrinho), Paulo Camelo, Zé Arlindo, Meraldo Zisman, Cláudio Renato Pina, entre outros, que realizam múltiplas ações, entre elas o destacado boletim “Casaca de Couro”, a Revista Oficina de Letras, funcionando numa sede bem instalada no Memorial da Medicina da Pernambuco, onde  outrora funcionou a Faculdade de Medicina.
Mais acima, os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, fechando a região Nordeste da SOBRAMES, sede de dez congressos nacionais ao longo de sua história e, agora, com mais um na conta, com a realização em setembro deste ano do XXVII Congresso, na cidade de São Luís, que abriu suas portas para receber os sobramistas das diversas partes do país, mostrando toda a sua pujança e hospitalidade. 

Esse é o Nordeste da SOBRAMES, exaltado pelo poeta Luiz de Gonzaga Moura: “Eita, Nordeste da peste, mesmo com toda seca, abandono e solidão, talvez pouca gente perceba, que teu mapa aproximado tem forma de coração. E se dizem que temos pobreza e atribuem à natureza, contra isso, eu digo não. Na verdade temos fartura, do petróleo ao algodão. Isso prova que temos riqueza, embaixo e em cima do chão. Procure por aí a fora cabra que acorda antes da aurora e da enxada lança mão. Procure mulher com dez filhos, que quando a palma não alimenta, bebem leite de jumenta e nenhum dá pra ladrão. Procure por aí a fora, quem melhor que a gente canta, quem melhor que a gente dança xote, xaxado e baião. Procure no mundo uma cidade, com a beleza e a claridade, do luar do meu sertão.”